Cliente com ferramenta própria

Finalmente aconteceu. Estou com um cliente que exige uso de ferramenta própria de legendagem! O contato com esse cliente com garantia de futuros trabalhos já estava certo há mais de um mês e, desde então, sofro com a antecipação de sair do conforto do meu Aegisub para um programa diferente.
Estava esperando o apocalipse, estava esperando o fim do mundo.
Há poucos dias, finalmente recebo meus primeiros trabalhos com eles e….
Foi incrivelmente bem! Claro que às vezes uso uns comandos do Aegisub que não funcionam no programa em questão, e vice-versa quando volto a trabalhar com esse. Claro que ainda há um certo desconforto, mas consegui produzir em um ritmo decente. Imaginei que, ao menos no começo, a produtividade seria ridícula de tão baixa, mas não.
Isso deveria ser meio óbvio. A maior interessada em que usemos uma ferramenta que garanta boa produtividade é a própria empresa, mas ouço tantos comentários traumáticos sobre agências de tradução que exigem o uso de CAT proprietária que fiquei bastante receosa.
Enfim, de volta do Chile e voltando ao ritmo!

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Controle de CPS é suficiente?

CPS, ou caracteres por segundo, são uma métrica usada em legendagem para analisar a facilidade de leitura de uma legenda na tela. Como o nome já revela, é uma métrica focada na velocidade. No entanto, há vários outros fatores que influenciam a leitura. Então, já partindo à conclusão, digo que só o controle do CPS não basta para garantir uma boa leitura.

Parto para um exemplo que volta e meia eu percebo enquanto trabalho. Como parâmetro, procuro não deixar CPS acima de 20, idealmente até 18. Apesar disso, várias vezes é possível ler com tranquilidade legendas com 23 e 24 CPS. A frase pode ter uma construção simples, ser algum tipo de ditado popular, que já sabemos o que vem a seguir, ou vários outros motivos.

O mesmo vale para a situação contrária. Há frases com construções mais complexas que exigem uma releitura para serem compreendidas. Além disso, quando o personagem pausa, a tendência é também pausar a leitura. Por conta disso, já aconteceu mais de uma vez de eu me bater para ler legendas de apenas 8 CPS.

3 Dilemas do tradutor

Em um dia de trabalho, passamos por diversos dilemas. Não estou falando de traduções difíceis, necessariamente, mas de pequenas ações que temos de tomar e que gostaríamos de evitar. Cito aqui três que me são recorrentes:

1. “Entre ele e mim”
Sabemos que esta é a forma certa, mas por algum motivo esse “mim” não cai nada bem aos olhos. Sempre que possível, tentamos trocar por “entre nós”, mas em certos casos não tem como escapar: algum segredo vai ficar só entre ele e mim mesmo.

2. Abandonar nossos regionalismos
Todos temos regionalismo, o que é ótimo, mas ao traduzir, temos que abrir mão delas, pois nosso locale é o Brasil todo, não só a nossa região.
No meu caso, já derramei lágrimas curitibanas quando tive que substituir uma “vina” por uma salsicha genérica. Por algum motivo, porém, não tenho o menor problema em trocar penal por estojo.

3. “Se você o vir, mande um oi”
Talvez este seja um problema maior entre os profissionais da legendagem, pois nosso leitor não tem tempo de processar o texto e qualquer estranhamento pode atrapalhar a fluidez da leitura. Infelizmente, o subjuntivo do verbo ver é um desses elementos que causam estranhamento e muitas vezes acaba preterido por seus sinônimos.
E, ao mesmo tempo, por ser um verbo pequeno, trocar um “vir” por “encontrar” ou “observar” pode fazer estourar o CPS da linha em questão.