Programas – LF Aligner

Voltando com o blog aos poucos, hoje falarei de outro programa que ajuda a nossa vida: LF Aligner.
Infelizmente, só fui descobri-lo há poucos dias, meio por acaso. Como o nome sugere, ele é um programa que alinha um documento e sua tradução, resultando em uma memória de tradução.
Quando fui testá-lo, estava meio cética. Mesmo traduzindo com CAT Tools, não é raro eu unir o que antes eram duas sentenças e separar o que era uma só. Tinha certeza de que isso propagaria desalinhamentos por toda a memória, mas não. Um programa chamado Aligner realmente alinha!
Surgem aqui e ali algumas correspondências erradas ou nulas, mas arrisco dizer que de uma tradução bem disforme em relação ao original, ele criou uma memória 90% correta.
E o uso no Windows é muito simples. Não é necessária instalação: basta executar o programa e seguir suas instruções intuitivas (no primeiro uso, ele demora mais a abrir, tanto que eu achei que funcionasse por linha de comando).
Minha única recomendação é não usar o editor gráfico deles para corrigir os erros de alinhamento, mas o Excel. Não sei se foi por conta do tamanho da memória com que trabalhei, mas o editor do próprio programa foi muito lento.

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Cliente com ferramenta própria

Finalmente aconteceu. Estou com um cliente que exige uso de ferramenta própria de legendagem! O contato com esse cliente com garantia de futuros trabalhos já estava certo há mais de um mês e, desde então, sofro com a antecipação de sair do conforto do meu Aegisub para um programa diferente.
Estava esperando o apocalipse, estava esperando o fim do mundo.
Há poucos dias, finalmente recebo meus primeiros trabalhos com eles e….
Foi incrivelmente bem! Claro que às vezes uso uns comandos do Aegisub que não funcionam no programa em questão, e vice-versa quando volto a trabalhar com esse. Claro que ainda há um certo desconforto, mas consegui produzir em um ritmo decente. Imaginei que, ao menos no começo, a produtividade seria ridícula de tão baixa, mas não.
Isso deveria ser meio óbvio. A maior interessada em que usemos uma ferramenta que garanta boa produtividade é a própria empresa, mas ouço tantos comentários traumáticos sobre agências de tradução que exigem o uso de CAT proprietária que fiquei bastante receosa.
Enfim, de volta do Chile e voltando ao ritmo!

Voxcribe – Segunda tentativa

Contei há poucos dias da minha primeira tentativa, que foi mais um teste, com o Voxcribe. Fiz com um trecho de vídeo em japonês parecido com o tipo de vídeo que representa grande parte de meu trabalho.

Desta vez, testei com um vídeo parecido com esse, mas em inglês. Afinal, o programa foi feito para reconhecer esse idioma. E digo que os vídeos são parecidos pois ambos são de animação e de ficção. Ou seja, os diálogos são dublados e há efeitos sonoros e músicas de fundo.

Infelizmente, minha impressão geral continuou a mesma do primeiro teste. Em um vídeo que deu cerca de 200 legendas, ele acertou bem cerca de 10 delas. E estou sendo bem generosa nessa estimativa.

Para mim, o mais decepcionante nesse segundo teste foi o reconhecimento de fala e separação das legendas ter sido extremamente precário em trechos com quase nenhum ruído de fundo e um inglês mais claro. Na verdade, a impressão geral que eu tive (e que, provavelmente, é bem tendenciosa) foi de que o programa se saiu melhor em trechos com música ou ruído de fundo do que em trechos com o áudio mais limpo.

Enfim, para o meu uso, ficou óbvio que o programa não serve. Caso algum dia eu me depare com uma legendagem de uma palestra, testarei novamente, pois esse é para ser o ponto forte do programa.

Voxcribe – primeira tentativa

Esses dias no grupo de tradutores e intérpretes do Facebook, mencionaram o Voxcribe. Não foi a primeira vez que tinha ouvido falar do programa, mas foi a primeira vez que resolvi testá-lo.

É um programa que reconhece áudio em inglês de um dado vídeo e cria a legenda .srt com o texto transcrito automaticamente. Ele é pago de acordo com o uso e o usuário recém-cadastrado ganha 60 minutos como teste.

Primeiras impressões do programa

É um programa pesado. O seu instalador tem 1,3 Gb e os requisitos mínimos já colocam 4 Gb de RAM. Porém, nada anormal para quem trabalha com a área audiovisual.

Apesar disso, o programa roda perfeitamente, sem travar nem enroscar. A interface é bem intuitiva e minimalista. Facílimo de usar.
Funcionalidade

Agora vamos ao que interessa: se o programa faz a legenda bem ou não. Nessa primeira tentativa, eu peguei uma amostra de vídeo que representa cerca de 90% dos meus trabalhos: animação japonesa. Ou seja, diálogos em uma língua não reconhecida pelo programa e com efeitos sonoros e músicas de fundo.

Obviamente, eu não esperava nada do texto em si, e realmente nada foi o que eu obtive. No entanto, tinha esperanças de que a marcação do tempo já viesse mais ou menos feita. Ao menos as partes sem muito ruído de fundo.

Infelizmente, não obtive muitos resultados nesse quesito. O programa deixou de identificar falas em certos momentos e identificou falas inexistentes até em momentos de ruído mínimo, o que eu achei bastante estranho.
Enfim, por enquanto o programa não atende às minhas necessidades. Pretendo em breve fazer um teste com um episódio inteiro, e não só um trecho como desta vez.

Pelos motivos citados (não ser inglês, efeitos sonoros e música de fundo), acho difícil que os resultados sejam muito diferentes dos que já obtive, mas, por enquanto, não custa tentar. Também procurarei programas que transcrevam em japonês.

Legendagem com CAT – Processo

Já falei um pouco de como trabalho usando CATs para legendagem, mas ainda não falei como é o processo geral, então vamos a ele:
1. Preparação do arquivo

O primeiro passo do processo é preparar o arquivo para a tradução na CAT. Com arquivos .srt, não é necessário, pois o OmegaT identifica esse formato. No entanto, como trabalho com o formato .ass, preciso passar por esta etapa.

Trata-se de exportar a legenda em formato .txt e retirar os marcadores de quebra de linha (\N).
2. Tradução na CAT

Depois de o arquivo estar pronto, é só traduzi-lo na CAT Tool e ir criando os glossários conforme a necessidade. Depois de pronto, gero o arquivo no idioma alvo e colo o texto de volta no arquivo da legenda com o tempo marcado. Antes, porém, já gosto de passar um corretor ortográfico.
3. Revisão com o vídeo

Agora, com a legenda traduzida, assisto ao vídeo corrigindo os eventuais erros. Como eu não assisto ao vídeo enquanto traduzo na etapa 2, a revisão inclui vários obrigado<>obrigada, você<>vocês e é<>sim. Nesta revisão, o foco é nesse tipo de erro, mas também acaba-se achando erros de concordância, typos etc.

Eu gosto de fazer esta etapa com a fonte da legenda bem maior do que o padrão. Os erros parecem ficar mais evidentes assim.
4. Revisão de texto

Mais uma revisão, agora focada no texto a fim de se corrigir erros gramaticais e de ortografia. Ao final, passo um corretor ortográfico e gramatical.
5. Atualização da TM

Depois da etapa 4, eu entrego o arquivo, que ainda passará por revisores. Depois de ter a versão final em mãos, é hora de atualizar a TM (memória de tradução) para que as propagações de flashbacks e de frases repetitivas em episódios futuros já venham com o texto final.

Para isso, eu vou novamente à CAT Tool e gero o arquivo no idioma alvo. Então, exporto o texto da legenda totalmente corrigido e uso o Excel para encontrar as linhas que têm divergências entre as duas versões. Com isso em mãos, basta ir alterando a TM na própria CAT Tool ou em algum gestor de memórias de tradução.

Viagem ao Chile – Esqui?

Pois bem, quando avisei ao meu pai que iria ao Chile, ele me perguntou se eu ia esquiar. Sem pensar duas vezes, respondi que não. É uma viagem curta e meio entrecortada, passagens com horários meio estranhos, só o tempo de deslocamento até uma estação de esqui me custaria… 2 horas? A estação do ano em que estamos… não é condizente?

Graças à pergunta do meu pai, pesquisei a respeito de esqui no Chile e, adivinhe só: tem estações próximas a Santiago, inclusive com pacotes de ir e voltar no mesmo dia. E minha viagem é começo de agosto, no meio do inverno!

Resumo da ópera, parece que vou esquiar (ou talvez praticar snowboard, ainda não me decidi). Por alguns relatos que li pela internet, parece que, justamente quando começar a ficar divertido, será hora de ir embora, mas veremos. Melhor do que simplesmente não ir.

A propósito, agora o hotel para toda a estadia está garantido.

Viagem de última hora – Chile

Eu gosto de planejar viagens com antecedência e detalhadamente. Tanto que, muitos projetos de viagem que tenho nem esboçaram sair do papel. Um desses projetos é uma ideia que tenho de fazer um grande tour por todo o Paraná.

No entanto, por conta de uma oportunidade que surgiu, resolvi fazer uma viagem internacional ao Chile de última hora. Com 20 dias de antecedência, para ser mais exata. Devo admitir que estou bem confusa e sem saber direito o que fazer, mas já estou passagens compradas, hotéis reservados (só para uma das seis noites em que ficarei por lá) e já sei que lugares visitar (só um deles com certeza e um que ainda tenho que ver mais detalhes)…

Bem, ainda tenho muitos preparativos a fazer e já tive alguns medos por conta da pouca antecedência. A principal foi não ter hotel disponível para uma região específica a que vou, justamente a que motivou a viagem ser agora. A cidade se chama Frutillar e fica às margens do Lago Llanquihue. Felizmente, essa hospedagem eu já garanti. O outro grande medo era não conseguir chegar nessa mesma cidade, mas acho que já superei o obstáculo.

Mas ainda tenho aquele medo de, chegando lá, ser totalmente diferente do esperado…

Controle de CPS é suficiente?

CPS, ou caracteres por segundo, são uma métrica usada em legendagem para analisar a facilidade de leitura de uma legenda na tela. Como o nome já revela, é uma métrica focada na velocidade. No entanto, há vários outros fatores que influenciam a leitura. Então, já partindo à conclusão, digo que só o controle do CPS não basta para garantir uma boa leitura.

Parto para um exemplo que volta e meia eu percebo enquanto trabalho. Como parâmetro, procuro não deixar CPS acima de 20, idealmente até 18. Apesar disso, várias vezes é possível ler com tranquilidade legendas com 23 e 24 CPS. A frase pode ter uma construção simples, ser algum tipo de ditado popular, que já sabemos o que vem a seguir, ou vários outros motivos.

O mesmo vale para a situação contrária. Há frases com construções mais complexas que exigem uma releitura para serem compreendidas. Além disso, quando o personagem pausa, a tendência é também pausar a leitura. Por conta disso, já aconteceu mais de uma vez de eu me bater para ler legendas de apenas 8 CPS.

Legendagem com CAT – Projetos

Mais um pouco sobre o trabalho de legendagem com CAT. Na publicação a respeito de glossários, falei da importância de manter um glossário distinto para cada série, para evitar que certos termos se confundam ou fiquem duplicados (por exemplo game, que na maioria dos jogos basta traduzir como jogo ou partida, mas que no tênis é uma das partes de um set).

Da mesma forma que é importante manter os glossários separados, é importante fazer o mesmo com projetos e memórias de tradução. Na minha primeira tentativa frustrada de usar CATs para legendagem, um dos erros que cometi foi ter um projeto genérico “Legendagem” e só ir trocando os arquivos nele conforme a necessidade.

Não funciona bem.

Claro que, a princípio, haveria a vantagem de ter uma memória de tradução mais robusta com que se trabalhar. No entanto, essa vantagem acaba sumindo com o tempo que se tem que refazer trechos sem sentido justamente pela amplitude dos projetos. Imagino a frase “He went down”. Traduzi há pouco tempo Gokuaku Ganbo, um drama de um grupo de “consultores” financeiros do submundo. Nessa série, muito provavelmente esse “he went down” significaria “ele foi à falência”. No entanto, também estou traduzindo séries de esportes, como já mencionei. No caso de Daiya no A, de beisebol, possivelmente seria “ele (o rebatedor ou corredor) foi eliminado”.

Além desses casos, em que a mesma frase se traduz de maneiras totalmente diferentes, ainda tem a questão do linguajar. Gokuaku Ganbo, que eu acabei de citar, tem um linguajar mais chulo. Afinal, eles são ou trabalham com agiotas e o público-alvo é demais adulto. Seitokai Yakuindomo é totalmente focado em piadas de cunho sexual com o máximo possível de trocadilhos por minuto. Golden Time é um romance que usa uma abordagem mais fofa. Por mais que algum dos segmentos fonte entre essas séries fosse igual ou similar, não me vejo usando a mesma tradução para eles.

Claro que, de qualquer forma, é possível manter uma só memória e ir adequando conforme a série em mãos. No entanto, acho que fica mais claro separar os projetos.