INSS não é um bicho de sete cabeças

Fiquei postergando minha ida ao INSS para me cadastrar como contribuidora individual por quase dois anos. O motivo verdadeiro era preguiça pura, mas eu disfarçava pensando que ia demorar demais, que ficariam enrolando o processo, que eu ficaria três horas na fila, que teria que voltar umas dez vezes para lá etc.
Não é assim. Na verdade é assustadoramente simples.

1. Agendamento
No site deles (ou por telefone), agende um horário na agência mais conveniente para você. Talvez esta seja etapa mais demorada, pois provavelmente só se consiga data para dali uns 15 dias.

2. Ir à agência na hora marcada
Vá na hora marcada com os documentos necessários, seja atendido e pronto. No meu caso, já saí com um boleto em mãos para pagara primeira contribuição.

3. Comece a pagar
Provavelmente a parte menos divertida, mas basta começar a pagar mensalmente as GPS (Guia da Previdência Social). Provavelmente seu próprio banco já ofereça uma opção de montar suas guias no internet banking.

Apenas algumas observações:

  • Não adianta chegar mais cedo porque eles não atendem antes da hora marcada. (Experiência de quem aproveitou o tempo ocioso para ler Minha breve história, de Stephen Hawking quase de cabo a rabo.)
  • Em caso de dúvida, leve todos os documentos possíveis e imagináveis.
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3 Dilemas do tradutor

Em um dia de trabalho, passamos por diversos dilemas. Não estou falando de traduções difíceis, necessariamente, mas de pequenas ações que temos de tomar e que gostaríamos de evitar. Cito aqui três que me são recorrentes:

1. “Entre ele e mim”
Sabemos que esta é a forma certa, mas por algum motivo esse “mim” não cai nada bem aos olhos. Sempre que possível, tentamos trocar por “entre nós”, mas em certos casos não tem como escapar: algum segredo vai ficar só entre ele e mim mesmo.

2. Abandonar nossos regionalismos
Todos temos regionalismo, o que é ótimo, mas ao traduzir, temos que abrir mão delas, pois nosso locale é o Brasil todo, não só a nossa região.
No meu caso, já derramei lágrimas curitibanas quando tive que substituir uma “vina” por uma salsicha genérica. Por algum motivo, porém, não tenho o menor problema em trocar penal por estojo.

3. “Se você o vir, mande um oi”
Talvez este seja um problema maior entre os profissionais da legendagem, pois nosso leitor não tem tempo de processar o texto e qualquer estranhamento pode atrapalhar a fluidez da leitura. Infelizmente, o subjuntivo do verbo ver é um desses elementos que causam estranhamento e muitas vezes acaba preterido por seus sinônimos.
E, ao mesmo tempo, por ser um verbo pequeno, trocar um “vir” por “encontrar” ou “observar” pode fazer estourar o CPS da linha em questão.

Transcriação – O que é?

O que é? De onde vem? Do que se alimenta?
Mesmo quem nunca trabalhou na área de tradução tem uma boa ideia do que consiste o trabalho: verter um texto que se encontra em um idioma para outro. Agora, como ficaria a tradução do seguinte trocadilho?

Life without ballet is pointeless

Life without ballet is pointeless

Uma tradução preocupada apenas com o sentido da mensagem, poderia ficar: “Uma vida sem Ballet não tem sentido nem pontas.” A graça do trocadilho acaba se perdendo.

Esse é um dos casos em que se deve aplicar a transcriação, ou seja, o processo de tradução (translation) com criação (creation). Ela difere da tradução tradicional pois o sentido original não se mantém necessariamente. No trocadilho dado, poderíamos deixar como: “Minha vida sem Ballet fica desequilibrada.” Mudam os atores, muda a estrutura, mas a essência, a sensação que o leitor tem se mantém. Neste caso específico, optei por deixar “minha vida” em vez de “uma vida” para não acabar chamando todo mundo que não pratica Ballet de desequilibrado.

Claro que há casos em que todo o documento a ser traduzido exige o processo de transcriação, como por exemplo peças publicitárias e séries totalmente focadas em piadas linguísticas. No entanto, pela minha experiência, ela costuma vir em pequenas pitadas no meio de uma tradução tradicional.

Em futuras postagens falarei mais do processo de transcriação em si.